O sol beijava seu sorriso, dançava frevo em seu tronco nu e aplaudia seu retorno. Estávamos na colônia de férias do clube e sua bermuda apontava seu peso justo, sem apertar nem cair, como acontecia em algumas épocas de deserto branco e sua cueca vinho saudava a todos. Grandes óculos escuros ocultavam seus olhos, mas podia vê-los apertados de felicidade e malandragem.

- Não acredito que você voltou! Sua mãe já está sabendo? – perguntei ao abraçá-lo com meu carinho e saudade, mas sem tocá-lo.

- Ainda não! Vou fazer uma surpresa! – confidenciou sem falar, movimentando o calor sem mexer seus braços, apenas gesticulando com seus dentes inertes, seu sorriso serelepe, tão típico de sua inocência e sua intensidade quase infantis.

“Ele voltou do coma!”, exclamei para mim. 

Naquele momento, a torcida do Flamengo caberia na minha alma.

Acordei.

 Sonho com gosto de luz.