Sindicato dos Escritores Baratos

Um blog sobre literatura embebido em muita poesia

expremo minha cabeça atrás de um poema,

mas não sai nada:

 

sou um limão seco.

seco e amargo.

 

sigo em busca do sangue, do suco, do sumo,

do supra-sumo!

mas quanto mais prucuro, mais sumo.

 

meus sonhos estão cada vez maiores e

minha vida esta cada vez mais medíocre.

 

expremo minha cabeça atrás de um poema

que não é esse!

isso é só choradeira

 

mas é que trabalhei (mais um)a noite inteira

e estou tão cansado, mas tão cansado

que tudo que consigo fazer é

                                                sentar e chorar.

Poema sobre o menino vivo da vó que morre

.

Quem morava nas dobras azuis do seu vestido,

expostas à luz do sol sob os sinos,

nos domingos,

badalando, badalando, badalando…

.

Ainda era um muito branco e pequeno menino,

que agora te olha com olhos crescidos,

cheios de gotas

balançando, balançando, balançando…

.

Depois, pedindo licença,

sai quase cambaleando,

do quarto enternecido

pela atmosfera mortuária,

.

e lá fora longe de todos,

segura o choro,

mas ele sai rompante,

.

(os olhos atentos,

dum lado pro outro:

menino não pode ser visto chorando!)

.

respira.

segura.

enxuga.

.

e para não ser visto soluçando,

volta serelepe-rindo,

e, por dentro,

.

..orando, chora… , chorando.

Haicai do pobre pessimista (adaptação do dito popular)

se merda fosse dinheiro
eu nascia
sem o traseiro.

Solidões Necessárias

Preciso dos dias e tardes
Nem que chova
Nem que morra
Prefiro o conforto das falsas liberdades.
Existe algo simples
Mas que poucos podem discernir
Liberdade näo é fazer o que se quer
Está em poder simplesmente existir.

O turista e o migrante

na cidade, de madrugada, o turista caminha sem saber de nada
quem tem grana pro taxi não sabe o que é pegar todo dia o madrugadão
o turista não se liga em nada que não seja porção de camarão
o turista não sabe de nada e se sente o dono da madrugada!
de dia esqueceu do protetor solar e virou ele mesmo um camarão!
o turista, por mais que insista, nunca conhecerá a alma da cidade
pro turista tudo é praia e gostosas, belos peitos de todas as idades!
o turista não vê desiguldade, esta ocupado demais olhando as bundas!
o turista mal consegue esconder sua empolgação por debaixo da sunga!
o turista apenas pergunta qual o caminho das praias do sul

Enquanto isso o migrante se fode por uma droga de salário mirrado
o preocupa de um lado a polícia, de outro o assusta a xenofobia
o migrante já esta careca de saber que é melhor tomar cuidado com os carecas
o migrante é o dono da noite de uma cidade que não lhe pertence

o turista que quer mais perereca! não entende como pode alguem se cansar
de tanta beleza
o turista não vê a pobreza enfurnada nos morros tão longe da costa
o turista se hospeda no costão
o turista vive de costas
nem quer ver a cidade verdadeira
não quer saber de veracidade!

enquanto isso o migrante sacode
seu corpo cansado no latão, sexta-feira
enquanto isso o migrante se fode
carregando nas costas a cidade inteira.

peripécias de uma mãe debutante

Mão na mão,

eu te olho

você me cheira

eu te sorrio

você se esgueira

eu te troco

você caga

eu te pego

você dorme

eu te deito

você baba

eu suspeito

você para.

Eu te espio

você cospe

eu sossego

você tosse

eu me apego

você ralha

eu me nego

você batalha

eu me entrego.

Eu suspiro

você gosta

eu te amasso

você se engraça

eu te lavo

você se assa

eu me canso

você gargalha

eu canto

você ri

eu cuido

você cresce

eu te embalo

você adormece

eu respiro

você sonha

você grita

eu acordo

eu acorro

você ganha.

Todo dia é uma droga
que precisa de outra droga
que droga, que droga, que droga!

teu cheiro me atrai como me atraem as ervas
manjericão, orégano, alecrim e hortelã
principalmente hortelã.
tens o frescor da menta em teu sorriso
e até mesmo teu olhar gelado é delicioso

esse teu sorriso gelado
de propaganda de pasta de dente
ainda tem um que de ardente
páprica picante

uma mulher que refresca e arde

sorvete de menta com pimenta
malagueta

é quase maldade ser tão saborosa
e suculenta como a manga
rosa como os lábios
suculentos

é de ti que me alimento
(ou pelo menos (in)tento)
não sai do meu pensamento
essa vontade de te degustar
lentamente
teu corpo e tua mente
então não mente!

as lindas uvas de teus olhos me dizem que você
quer ser degustada

talvez como pêra molhada
ou
como uma doce jabuticaba

teus seios de doce de leite
não há quem rejeite!

E esse teu sexo de azeite
de oliva
tudo isso me convida

não posso ficar a negar
essa vontade de te degustar

não pode haver melhor sobremesa
do que ti ter
sobre a mesa
prendendo a minha cabeça
entre essas coxas de chocolate
macias como pão de ló!
então tenha dó!

não se faça de desentendida
vê se me convida pra jantar

preciso te degustar.

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