Sindicato dos Escritores Baratos

Um blog sobre literatura embebido em muita poesia

Felicidade

 
Eu vou bebendo a vida

Como se fosse um vinho frisante

De sabor doce e frutado

De simplicidade desconcertante

Vou vivendo o vinho

Porque é o que manda o instante

Degustando a beleza complexa

Dessa existência intrigante

Eu não sei se mereço

Mas tenho uma sorte gigante!

Durmo com a mais bela mulher

Tenho a vida como minha amante

Eu vou paciente e feliz

Como um lapidário elegante

Polindo essa vida que é pedra

Até transformá-la em diamante

Alienado

as grandes tragédias do mundo

já não me incomodam tanto

 

sei que isso é um tanto leviano

mas já não penso tanto nos miseráveis do mundo

talvez pensasse mais neles não fosse eu um deles

 

acho que ando até embrutecendo

 

já não sinto, já não sei

já não suo, já não sôo

já não sou

 

minha vida balança apertada

no coletivo e

tudo que eu penso é

“se rolar um lugar livre eu sento”

 

tento ler, mas minha cabeça se dispersa

em

contas, deveres e dores

 

acho que ando até emburrecendo

 

todas as filosofias ultimamente pouco me importam

e embora Marx ainda explique

um pouco do que estou vivendo

eu to pouco me fudendo!

 

sou um poeta desleixado que nem conhece

as correntes poéticas em voga

não sei qual é a boa

dos versos

não tenho idéia

do que é ta pegando na poesia

 

não digo que essa ignorância

seja correta ou bonita,

não leve por apologia

o que é apenas confissão

 

mas o fato é que ando

confuso e cansado

sentindo-me enjaulado

nesse espaço a mim destinado

e essa sensação de impotência

deixa qualquer um desanimado

 

acho que ando até esmorecendo

 

então tanto faz se morreu o Osama

o que vai ou não reeleger o Obama

pouco importa se é Skol ou Brahma, 

tudo parece tão igual!

 

e sem sono eu penso

apesar do cansaço do meu cérebro

e fumo esse cigarro

apesar de todas as advertências

do Ministério da Saúde

e tusso

porque no fim das contas até que

o Ministério da Saúde tem razão

 

mas o que é que faz mal ou não?

 

não esquece do fio dental

gordura do bem, gordura do mal

não é bom por tanto sal

tudo parece tão sacal!

 

e quando se vê

aquela

imensa vontade de mudar as coisas 

se tornou

aquela

imensa vontade de adquirir coisas

e

a felicidade já não é nada mais

que um tablete

fora do meu poder aquisitivo

e o consumo parece o único dispositivo

que me mantêm claro e vivo

(pegou a piada?)

 

e quando se vê a vida

parece resumida a um horário

de almoço

roendo rápido a carne até o osso

falando mal dos colegas ausentes

com os colegas presentes

enquanto a tv transmite

uma mesa redonda qualquer

Autopromoção

 

se eu escrevo é para você me ler
se eu canto é para você me ouvir
se eu apareço é para você me ver

se eu faço autopromoção
é porque estou em liquidição!

e a propaganda é a alma
de qualquer negócio
sem alma

Gado da Madrugada

nós somos o gado da madrugada
nossas cabeças não valem quase nada

esperamos resignados
em fila
em pé
até
que chegue o ônibus que nunca chega

a noite dessa cidade é
movida a tração animal
e nós somos o material
humano
o combustível desse esquema
desumano
nós somos um bando de
suburbanos

pouco importa
se estamos cansados
se fomos humilhados
se somos mal remunerados

nós somos o gado da madrugada
nossas cabeças não valem quase nada

Nossa Cidade


 
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Telejornal

Hoje resolvi ligar a tv
E assistir o telejornal

Um monte de gente morreu em São Paulo
Um monte de gente morreu nas estradas
Um monte de gente morreu pelo mundo

Teve até um menino-bomba no Paquistão que matou
trinta pessoas,
pasmem, em um funeral!

Apesar disso tudo
Estamos aí

Vivos.

Videopoema 2

Mais um poema transformado em um vídeo simples para a galera.

 

 
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Videopoema - Dentro de Mim Mora um Monstro

 
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